Sem reação. Foi assim que me senti naquela tarde em que recebi um telefonema inesperado, mas antes de chegar nessa parte deixe-me explicar o modo que aconteceu.
Após ter conseguido o presente que tanto procurei me vi encurralado em um beco: como entregar um presente de surpresa para alguem que eu não via, ou que a princípio se recusava a me ver?
Não poderia pedir para alguem entregar o presente por que estragaria toda a mágica da surpresa, não poderia eu chama-la para um encontro com o pretesto de entregar um presente por que pareceria um meio e não um fim. Qual seria então o melhor modo de entregar esse amuleto?
AH HA! E então subitamente encontrei nada menos que a solução ideal para o meu problema: uma carta! Existe algo mais mágico que uma carta?
Hoje em tempos de e-mail e internet receber uma carta é algo tão surpreendente quanto receber um presente, a carta é o simbolo do amor secreto de nossos avós, é o modo como o amor viajava nos livros de romance. Pois bem, está decidido, será uma carta de amor surpresa com mágica e um amuleto, mas havia ainda outro detalhe o qual mágica nenhuma poderia resolver: para onde enviar o envelope? No meio de tanta magia, idéias geniais e presentes me esqueci do básico, eu precisava de um endereço.
Foi então que tive de desistir de contar com a mágica e procurei ajuda real, pedi a um amigo em comum, o qual mantinha conversas frequentes com ela, que disfarçadamente conseguisse o endereço sob o pretesto de pega-la para almoçar um dia. Perfeito, meu amigo descobriu o endereço e ela nem suspeitou, nada melhor para um apaixonado arteiro que estava tramando alguma.
Enviei a carta poucos dias antes do natal e torci para que recebesse antes das festas, foi coisa de 3 ou 4 dias até que ela recebesse, e então que recebo o tal telefone do começo da história.
Fiquei sem reação, número desconhecido, estava na casa de um outro amigo falando de assuntos nada convencionais e nem me passava pela cabeça que receberia uma ligação naquele dia, ainda mais se tratando do assunto em questão.
Do outro lado na linha havia uma voz com um misto de alegria e nervosismo, foi uma conversa rápida em que ela me agradeceu o presente e disse que o guardaria para dar sorte na prova, eu bobo não sabia o que dizer, e como sempre acontece quando estou nervoso, despejei toneladas de informação e conversas desconexas das quais, tenho certeza absoluta, não entendeu uma palavra mas concordou e deu risada apenas por educação.
Ainda não havia chego a noite de natal, mas mesmo assim esse telefonema foi o melhor presente que eu poderia ter ganho naquele ano, não por que o presente da minha irmã era uma camiseta da qual não gostei muito ou por que no presente de amigo secreto ganhei um jogo de cuecas PP na cor verde musgo (nenhuma me servia, e se servisse faria questão de não usá-las), aquele era o melhor presente de todos por que me deu algo que eu queria a muito tempo: esperança.

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